O FADO
|
 |
Muito se tem falado e escrito sobre o Fado, mas ao certo, ninguem diz qual a sua origem e o local do seu nascimento, por cientificamente não haver algo de certezas, e com palpites, não chegamos a lado nenhum: quando as gerações vindouras nos perguntarem a sua origem, encolhemos os ombros, e dizemos não saber, sendo o Fado a Canção Nacional...
O que se observa é uma disputa entre os que escrevem sobre o Fado, que como se diz na gíria popular, que cada um (puxa a brasa à sua sardinha:) uns que o Fado teve como princípio o Bairro de Alfama, outros que em Alcântara, outros no Bairro Alto, outros na Madragoa, e mais precisamente no Bairro da Mouraria, por naquele Bairro terem habitado os mouros, por D. Afonso Henriques na era cristã os ter obrigado a sair do Bairro da Madragoa, obrigando-os a viver na parte oriental de Lisboa, e foi naquele sítio que os mouros se instalaram, daí o nome do Bairro da Mouraria.
É certo que fora ali com paragens nas tabernas e bordéis desses bairros populares do antigamente, que o Fado se celebrizou, denunciando a sua origem popular, a alma do povo, e bem cedo começou a frequentar os mais aristocráticos salões, sempre muito bem acolhido com entusiasmo e carinho pela fidalguia, e não se pode dizer que por este motivo exista Fado aristocrático, e fado do povo, como alguns teimam em dizer: e tambem não há Fado velho e Fado novo, porque existe só um FADO.
As figuras expostas no quadro de Malhoa que simboliza o Fado, não são nem a Severa, nem o conde do Vimioso o que por vezes ousam dizer: as figuras expostas, são: a Adelaide que tinha por alcunha a (Adelaide da Facada," por numa briga ter ficado com cicatrízes na face esquerda, e por isso aparece no quadro nessa posição: ele é o Amâncio guitarrista amante da Adelaide.
Este quadro esteve numa exposição em Paris, com o título de "Os bêbados,"mas mais tarde,José Malhoa seu autor dá-lhe título de o "FADO."
Arranjo de Mnelze.